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Tópico: Mysterium

  1. #1
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    Mysterium

    Era uma praça. Outono, final de tarde. Detive-me a penetrar o ocaso como cientista, desvendando-lhes os matizes que passavam de forma peremptória pelos vagos espaços entre folhas, iluminando parcamente a relva. Nada pude perceber senão policromatismos, reflexões, espaços lisos ou curvados, simetrias e assimetrias. Tolice – pensei. Nada pode dizer o homem senão penetrar de forma insubstancial o fenômeno como forma de tentar descobrir, por trás do acontecimento, o mistério do que nos ocorre como pedintes de uma existência absurda. O que diríamos se víssemos um coelho querer enfrentar um exército de leões? Absurdo. E sobre o homem tentar desvendar algo além do que observa? Absolutamente crendice e temporalidades vãs.

    Foi então que, já noitinha, passava por lá, detendo-se e sentando-se a meu lado. Já nos conhecíamos. Seu sorriso era leve, sereno e bucólico. Sua pequena mão, macia ao tocar a minha. Seu cabelo, tépido negror que já não sabia precisar se, por conta da noite ou da iluminação fantasmática de onde estávamos, tomava um certo matiz de azeviche, como todos os ocasos noturnais levavam-me a crer quando em sua presença. Seus olhos... Tredos pontos que fitavam-me com ternura. Explicou-me com voz firme e doce, sobre as grandezas integrativas. Cada penumbra já tinha sido por você percorrida, cada ausência entendida. Dizia que as palavras são o aclarado, mas a noite é a hora do inaudito; cada vazio entre palavras é um universo repleto de estrelas e buracos negros. Cada buraco negro, um universo gravitacional por onde penetramos outro mundo. Cada ser um buraco negro, e cada gravitação um logos. “Queria dizer, meu cientista, que somos buracos negros incognoscíveis, mas que em cada um de nós gravita a ciência do outro, o eu-nós por onde damos, um ao outro, o sentido para a conjugação do verbo ser”.

    Perdido em suas palavras e ausências, pude então rememorar versos de quando jovem, pertencentes a certo escritor francês chamado Victor Hugo: “o homem está onde termina a terra; a mulher onde começa o céu”. Seu toque e sua ciência pôde me transportar para locais inefáveis para além do fenômeno. Consigo então, talvez não com a mesma maestria, adentrar o pórtico do mistério, ainda que seja para perder-me docemente em você, que permanece como sua encarnação.
    "Afinal que é o homem dentro da natureza? Nada, em relação ao infinito; tudo, em relação ao nada; um ponto intermediário entre o tudo e o nada. Infinitamente incapaz de compreender os extremos, tanto o fim das coisas quanto o seu princípio permanecem ocultos num segredo impenetrável, e é-lhe igualmente impossível ver o nada de onde saiu e o infinito que o envolve".

    (Pensamentos - Blaise Pascal)

  2. Os seguintes 4 usuários agradeceram à Shintaro por este post:

    kamui (29-06-2017), lureinhardt (12-06-2017), Santine Kimo (08-12-2017), tami_koch (16-06-2017)

  3. #2
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    Mesmo que nos, nunca compreendamos as mulheres. De muitos modos elas é que nos fazem compreender o mundo. Ou aceitar as imperfeições dele com as perfeições delas...

  4. Os seguintes 3 usuários agradeceram à kamui por este post:

    Santine Kimo (08-12-2017), Shintaro (16-06-2017), tami_koch (16-06-2017)

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