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Tópico: Entrevista com Roman Schossig autor do livro Em Nome de Fanom

  1. #1
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    Padrão Entrevista com Roman Schossig autor do livro Em Nome de Fanom

    Natural de Rio Negro, Paraná, Roman Schossig é um jovem autor já premiado pela Academia Paranaense de Letras e pelo Rotary Club em função do seu primeiro livro, O Olho do Céu, lançado em 2004. Formado em História na UEPG, começou a se aprofundar nos estudos sobre a História Medieval para colher informações que o auxiliassem na concepção dos seus projetos literários. O contato com a obra do compositor alemão Richard Wagner, sobretudo a tetralogia O Anel do Nibelungo, tema de um trabalho acadêmico que produziu, foram decisivos e serviram de grande influência nos seus escritos.





    Gostaríamos primeiramente de agradecer por ter nos deixado roubar um pequeno pedaço do seu tempo para realizar essa entrevista, por nos falar um pouco do seu trabalho e vida e dizer que é um grande prazer conhecer os novos escritores que surgem no cenário nacional. É de grande estímulo saber que em um país enorme como o Brasil cada dia mais a leitura se torna um hábito e que mais autores talentosos, encantando com as suas histórias, contribuem com o enriquecimento desse hábito tão saudável e benéfico que é a leitura.
    Bem, podemos começar?!




    TC- Primeiro gostaríamos que você contasse um pouquinho para nós, quem é Roman Schossig em sua privacidade?

    R – Um apreciador de Música e Literatura. Amante da História e nerd de RPG e jogos eletrônicos. Apesar de preferir, durante o ano, atividades de lazer menos sociais, gosto bastante de “mochilar” nas férias.



    TC- O seu primeiro romance publicado, você se lembra quando começou a imaginá-lo?

    R – Sim. As primeiras idéias surgiram quando li sobre a Pedra Roseta e toda a correria que se fez na época para traduzi-la, imaginando que ela seria, literalmente, um mapa da mina.
    Na época, eu estava escrevendo um conto de fantasia medieval sobre um grupo de ladrões que seria injustamente acusado de roubar um artefato. Decidi desta forma que o tal artefato seria uma safira – chamada de O Olho do Céu – na qual estavam cravadas runas antigas que revelavam o paradeiro de tesouros de civilizações antigas.
    Como gostei da idéia, fui escrevendo contos que davam continuidade à história e outros que explicavam a origem da safira. Assim, mais enquanto ciclo de contos do que romance propriamente dito, surgiu meu primeiro trabalho literário.

    TC- Quando foi que você se lembra, que você percebe que havia paixão pela escrita em você?

    R – Eu sempre gostei de histórias fantásticas, mas foi só na época de faculdade que comecei a escrever.

    TC- Se digitarmos o seu nome em um site de pesquisa, como o Google, podemos perceber que alguns sites apresentam algumas críticas sobre livros de sua autoria publicados, como é receber esse feedback? Acha importante isso no trabalho que os escritores desenvolvem?

    R – Feedbacks são de grande importância. É uma forma de saber qual é ou qual será a recepção de nosso trabalho. Assim também podemos ter uma ideia melhor de nossos pontos fortes, nos quais podemos investir, e os fracos que podemos melhorar.

    TC- O optamento pelo gênero fantasia, quando surgiu isso, ou foi algo mais como: ah acho que vou fazer uma fantasia!?

    R – Trata-se de um gênero de que gosto e aonde sinto mais liberdade para a imaginação. Além disso, também me atrai esse caráter eterno mesmo tendo fama de sub-literatura (isto é, raso e despretensioso) perante a “Literatura Séria”(a Literatura Clássica, mais profunda e filosófica). O fantástico esteve presente desde a mais remota antiguidade: as façanhas e viagens fantásticas de heróis como Gilgamesh e Ulisses eram declamadas em palácios e feiras com função pedagógica – repassar certos valores da sociedade – e também de entretenimento. Hoje, numa era tão tecnológica, com um sem número de outras opções de entretenimento, mesmo dentro da Literatura, a Literatura Fantástica continua a nos atrair.

    TC- O livro em nome de Fanom faz referência ao Brasil Colônia e a maneira como sua fantasia é colocada nessa panorama nos leva a viajar nesse período da história. Como foi o desenvolvimento desse seu projeto pessoal?

    R – Por um lado sempre gostei da fantasia medieval “clássica”, ou seja, aquela no estilo Tolkien, oriundas dos romances de cavalaria e mitologia medieval européia. Por outro lado, também gosto da História e folclore do Brasil.
    A tarefa de juntar esses mundos aparentemente tão distantes e tão diferentes tem sido meu desafio. Tentei esboçar isso no primeiro livro, O Olho do Céu, mas apesar de alguns cenários de romance ser inspirados no interior do Paraná, a trama e os personagens mantiveram-se dentro dos padrões da fantasia clássica.
    Com o Em Nome de Fanom, inspirado em viagens que fiz pelo interior de Minas Gerais, consegui dar vários passos além, incluindo nele um cenário que remete mais diretamente às cidades do ciclo do ouro (a cidade Novas Lavras do Sul, onde se passa o romance, (seria uma espécie de Ouro Preto mitológica com detalhes medievais) além de várias lendas que li e recolhi na região e, é claro, passagens diretamente inspiradas na “Inconfidência” Mineira. Mas ainda há muito o que se explorar.


    TC- Acho que uma pergunta pertinente aos autores e que a maioria dos leitores geralmente, ou em algum momento se perguntam, é o de como uma cena ou imagem alcança proporções gigantescas ao ponto daquilo se tornar uma verdadeira história gravada nas páginas de um livro. Sem querer pedir demais, mas apenas satisfazendo uma curiosidade natural de leitor, você nos conta o segredo para fazer uma história repleta de itens que encantam a nós leitores da primeira a última página?

    R – O dia em que eu mesmo descobrir, contarei . De qualquer maneira, acho que se escrever com paixão e racionalidade bem medida – a primeira para despertar no leitor as emoções e o interesse na história, e a segunda para evitar exageros – a possibilidade de sair algo bom é considerável.

    TC- Dizem que todo escritor também é um grande leitor, amante da palavra escrita. Que tipo de literatura é sua favorita?

    R – Sou eclético nesse item. Em cada época gosto de conhecer e explorar um estilo diferente. Talvez a Literatura ocidental do século XIX tenha sido a mais constante.

    TC- Com relação aos seus projetos literários, quais são seus futuros projetos? Está envolvido em algum no momento?

    R – No momento estou exercitando o estilo escrevendo histórias paralelas ao Em Nome de Fanom, mas é possível que um novo romance surja disso.

    TC- Quando iniciou como um escritor, qual foi a maior dificuldade enfrentada? Qual é o maior desafio para alguém que quer publicar algo?

    R – Dificuldades a gente sempre encontra. Às vezes é difícil convencer alguma editora a publicar nossa obra, outras vezes, quando decidimos fazer uma produção independente, é difícil juntar o dinheiro necessário, e em algumas ocasiões, quando já temos o dinheiro juntado, é difícil convencer alguém a ler nosso esboço e a comentar alguma coisa sólida ao invés do clássico folhear de páginas e o levantar de sobrancelhas seguido pelo murmúrio “legal”.

    TC- Quais as dicas que daria para alguém que está iniciando no caminho literário e quer publicar seus escritos?

    R – Tem que batalhar e não esmorecer diante das dificuldades e ser paciente, lembrando que a Literatura é, antes de tudo, uma arte. A obra prima de um autor é aquela que ele escreve em sua maturidade, quando finalmente se tem algo verdadeiramente sólido para se registrar. O que vem antes são o trabalho e o desenvolvimento do estilo – importantes, sim, mas não definitivos.


    TC- Você poderia nos contar o que mais gosta de cada um dos livros que tem publicado? Sabemos que é difícil encontrar alguma coisa que goste mais em algo criado por nós mesmos, mas algum momento em especial neles (lugares, pessoas, situações, etc.) os torna especiais para você?


    R – Do primeiro livro eu gosto da espontaneidade. Eu escrevia meio “na louca”, sem saber muito onde iria parar e o fazia com bastante entusiasmo, o que acabou resultando num romance com várias passagens que beiram o infantil. Mesmo assim, foi uma experiência importante. Uma iniciação. É como uma criança que aprende a andar de bicicleta e vê na primeira volta pela quadra um feito extraordinário: não é nada de mais, mas a emoção sentida torna-se parte de nossa memória.
    Do segundo eu gosto pelas conquistas que fiz ali, tal qual comentei, não só no cenário como nos próprios recursos estilísticos. Vejo este romance como as bases de um estilo que pretendo um dia consolidar.


    TC - Poderia nos deixar algumas palavras suas para as Corujas e Entocados da Toca da Coruja que lerão a sua entrevista?


    R - De qualquer forma, agradeço a todos pelo espaço e fiquem à vontade para comentar e criticar meu trabalho, aliás, quanto mais contundente criticarem melhor. Lembrem-se: tapinha nas costas não faz um escritor.


    Antes de concluir a entrevista, gostaríamos de fazer um pequeno ping pong de perguntas:


    CONHECENDO UM POUQUINHO MAIS DE ROMAN SCHOSSIG.
    -Idade em que escreveu seu primeiro livro: 20.
    -A sensação de ter uma obra publicada: vitória.
    -Maior benefício que a escrita pode ter: auto-conhecimento.
    -Um desafio: consolidar e aperfeiçoar esse estilo.
    -Esperança: conseguir isso um dia...
    -Prioridade de vida: depende da época.
    -Paixão: Música, Literatura e História.
    -Momento feliz: Minha formatura em História, 2003.
    -O fim: o esquecimento.


    A equipe da Toca da Coruja agradece novamente pelo espaço e paciência em nos conceder essa entrevista.
    Obrigado Roman e desejamos poder ver mais obras suas em Breve!



    Agradecimentos:

    Day mah por elaborar e revisar a entrevista.
    Selene pela revisão final.
    Naninha pelo apoio.

    Contatos com o autor:



    O livro Em Nome de Fanom pode ser comprado nas Livarias Curitiba ou então direto com o autor, basta que para isso o interessado entre em contato pelo e-mail ou facebook acima divulgados.


  2. Os seguintes 10 usuários agradeceram à Sirius por este post:

    AnaCarolina (29-11-2011), Day mah (29-11-2011), gu1le (26-06-2016), Haziel (30-11-2011), lureinhardt (27-05-2017), michelchad (04-04-2015), Patt (01-04-2012), Polaris (20-08-2015), Sander (30-11-2011), Vstrega (29-11-2011)

  3. #2
    Toca Fun! Avatar de michelchad
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    Boa entrevista.

  4. O seguinte usuário agradeceu à michelchad por esse post:

    lureinhardt (27-05-2017)

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