• 'Coleção Vaga-Lume', que revolucionou a literatura juvenil, está de cara nova

    No imaginário do brasileiro há mais de quatro décadas, ‘Vaga-Lume' lança agora os 10 primeiros títulos com novo projeto gráfico

    Partindo da ideia de que uma boa história não sai de moda e de quem é pai, mãe ou professor de crianças hoje teve seu primeiro contato com a literatura nos anos 1970 e 1980, e, portanto, com a coleção Vaga-Lume", a Ática decidiu dar uma nova cara à série de livros que revolucionou a leitura nas escolas. Estão chegando às livrarias, com novas capas e projeto gráfico reformulado, 10 títulos emblemáticos da coleção. Entre eles, os três mais vendidos de sua história: A Ilha Perdida, livro publicado por Maria José Dupré (1898-1984) em 1944 e que foi incluído na primeira leva da série, em 1973; O Escaravelho do Diabo, de Lúcia Machado de Almeida (1910-2005), que saiu como folhetim na revista O Cruzeiro, em 1956, chegou à Vaga-Lume em 1974 e está prestes a estrear no cinema; e A Turma da Rua Quinze, escrito pelo então redator do Jornal da Tarde, Marçal Aquino - que se destacaria, depois, também por seus roteiros e romances adultos (O Invasor, Eu Receberia as Piores Notícias dos Teus Lindos Lábios,etc).


    Clássico. "A Ilha Perdida", por Edmundo Rodrigues


    “Os índices de venda sempre foram muito expressivos, mas percebemos um distanciamento entre as boas histórias e a apresentação visual. Era, então, preciso renovar, mas mantendo algum elemento que a ligasse ao passado”, explica Paulo Verano, gerente editorial de paradidáticos da Ática, que faz 50 anos em 2015. As novas capas trazem um detalhe das ilustrações originais. As imagens internas, que acabavam por entregar o enredo, foram deixadas de lado. “Era uma característica editorial da época e preferimos privilegiar o texto, com um bom trabalho tipográfico e uma mancha de melhor legibilidade”, completa Verano. Outra novidade é o verniz da capa, que brilha no escuro. Luminoso, o mascote da coleção, que já vestiu calça boca de sino, colete e boina, também está diferente. Hoje, depois do redesenho feito por Marcelo Martinez, responsável, também, pelo projeto gráfico, ele usa boné, calça verde e camiseta preta. O sorriso, mais aberto antigamente, ficou um pouco blasé.


    A Evolução do Luminoso:



    1.
    O Luminoso, mascote da coleção Vaga-Lume, ganha nova cara em 2015

    2. O Luminoso nos anos 1990

    3. O Luminoso nos anos 1980, quando Marcos Rey era uma das estrelas do catálogo

    4. Quando a coleção foi criada, ele usava calça boca de sino




    A Vaga-Lume chegou a ter por volta de 100 títulos em catálogo - de autores como Marcos Rey, Orígenes Lessa, Luiz Puntel e tantos outros. Hoje, são 75 - 55 para leitores entre 11 e 14 anos e 20 com o selo em Vaga-Lume Jr., para a faixa dos 10, 11 anos. A coleção da Ática reinou sozinha em sua primeira década e depois a concorrência começou a aparecer. Foi quando Marcos Rey, já escritor consagrado, chegou para dar novo gás com seus romances policiais - também copiados pela concorrência.

    Há sete anos, um novo título não é publicado - o último foi O Mestre dos Games, de Afonso Machado. “Temos a intenção de retomar a prospecção de autores”, garante Verano. Existe a ideia, também, de relançar outros volumes com esse novo projeto gráfico - talvez 10 ou 15 por ano. Nem todos, porém, encontrarão leitores hoje. Como meninos e meninas de 12 anos leriam agora, por exemplo, um policial dos anos 1980, quando o contexto tecnológico era outro?

    Marçal Aquino acredita que apenas um dos quatro livros que escreveu para crianças funcionaria hoje - justamente A Turma da Rua Quinze. Lançada em 1990, a obra é datada, o que dá a ela uma certa proteção. No dia em que o homem pisa na lua, Marcão desaparece. E os amigos partem para desvendar o mistério. “O mundo era daquele jeito, as fantasias eram aquelas. Os outros, se considerarmos a existência do celular e da internet, deveriam ser revistos. E isso acontece com qualquer policial. Se vai ler Raymond Chandler, você fica pensando que, se houvesse WhatsApp, acabaria a aventura”, diz o autor.

    “Os tempos mudaram e, com o passar dos anos, ela se tornou uma coleção simples, tradicional. Não sei se ela corresponde ao modelo de sensibilidade do jovem de hoje”, comenta Fernando Paixão, editor de uma das fases áureas da série.

    A Vaga-Lume surgiu num momento em que as crianças eram apresentadas à literatura por meio dos clássicos. Na reforma educacional de 1971, quando o ensino obrigatório se estendeu até a 8.ª série, o número de alunos aumentou. Além disso, foi incluída na Lei de Diretrizes e Bases uma cláusula que recomendava a preferência pela adoção de obras nacionais. E, nesse momento, as escolas já pediam obras contemporâneas. A editora não perdeu tempo. A proximidade com os professores, que liam os livros antes de serem impressos e os testavam com seus alunos, foi um importante passo para o sucesso imediato, comenta Jiro Takahashi, o nome por trás da Vaga-Lume. As tiragens eram enormes - de cerca de 80 mil exemplares, que se esgotavam em menos de um ano. Takahashi destaca, ainda, os bons autores e o suplemento de trabalho que acompanhava as edições - hoje corriqueiro - como diferenciais. Na nova configuração, o suplemento será online. Afinal, a ideia é perder a cara de obra paradidática e ganhar as livrarias.


    Os 10 títulos repaginados da Vaga-Lume:


    O ESCARAVELHO DO DIABO, de Lucia Machado de Almeida (Ática, 192 págs., R$ 37,50). Thriller sobre uma série de crimes praticados na tranquila Vista Alegre em que as vítimas eram todas ruivas e tinham recebido um besouro antes de morrer. Clássico dos anos 1970, livro chega às telas do cinema em breve.



    A ILHA PERDIDA, de Maria José Dupré (Ática, 152 págs., R$ 37,50). Da mesma autora de "Éramos Seis", a obra narra a aventura dos irmãos Henrique e Eduardo durante visita a uma fazenda, em Taubaté. Eles descobrem uma ilha no rio Paraíba e vão explorar a região a bordo de uma canoa.



    A TURMA DA RUA QUINZE, de Marçal Aquino (Ática, 176 págs., R$ 37,50). Marcão desaparece num dia de 1969 e os amigos da rua bolam um plano para tentar desvendar o mistério. O novo vizinho, um homem com uma cicatriz no rosto que se mudou para uma mansão abandonada, desperta a atenção dos meninos.



    O FEIJÃO E O SONHO, de Orígenes Lessa (Ática, 216 págs., R$ 37,50). O poeta Campos Lara e Maria Rosa vivem em pé de guerra - ela dando duro em casa, cuidando dos filhos e de tudo, e ele sonhando e se esquecendo do dia a dia. Acompanhamos a vida dessa família e suas diferenças.



    OS BARCOS DE PAPEL, de José Maviel Monteiros (Ática, 120 págs., R$ 37,50). Miguel, André, Josué, e Quito decidem brincar perto de um lago e descobrem uma gruta cheia de morcegos. Ela se revela, no entanto, uma imensa, labiríntica e assustadora caverna com aventuras e perigos.



    SPHARION, de Lúcia Machado de Almeida (Ática, 216 págs., R$ 37,50). Ficção científica para os pequenos, obra gira em torno de Dico Saburó, cujos poderes paranormais já não podem mais ser escondidos pela família: ele é escalado para ajudar a desvendar a morte de um minerador.



    A ALDEIA SAGRADA, de Francisco Marins (Ática, 114 págs., R$ 37,50). Tendo como pano de fundo a seca, romance acompanha Didico, que levava uma vida tranquila no sertão baiano até que o padrinho vai tentar a sorte no Acre e a madrinha morre. Sozinho, ele se lança no mundo e vai conhecendo, pelo caminho, amigos - é quando ouve sobre Antônio Conselheiro.



    AÇUCAR AMARGO, de Luiz Puntel (Ática, 160 págs., R$ 37,50). Obra é narrada pelo ponto de vista de Marta, uma menina, filha de lavradores, que está na fase de começar a pensar em namorar, mas é surpreendida pela dura realidade: ela e a família terão de se mudar porque o dono da fazenda vai transformar tudo em canavial. A vida na periferia de uma cidade se mostra difícil.



    TONICO, de José Rezende Filho (Ática, 144 págs., R$ 37,50). A vida de Tonico muda quando ele, prestes a fazer 14 anos, perde o pai. Único filho homem e primogênito, ele é obrigado a abandonar as brincadeiras e, de uma hora para a outra, amadurecer. Seu papel agora é o de chefe da família, e ele vai ter que trabalhar. O amigo Carniça é seu companheiro nesse momento difícil.



    DEU A LOUCA NO TEMPO, de Marcelo Duarte (Ática, 152 págs., R$ 37,50). Os amigos Rodrigo, Fefê, Hugo e Luíza inventam, com a ajuda de secador de cabelo, uma máquina do tempo e fazem sucesso na Feira de Ciências. Mas algo errado ocorre com as pessoas que a experimentam.


    Números:

    - 7,5 milhões de exemplares foram vendidos desde o lançamento da coleção

    - 3,5 milhões foi o número de cópias vendidas de ‘A Ilha Perdida’, publicado por Maria José Dupré em 1944, incluído na primeira leva da Vaga-Lume e o best-seller da coleção


    Mais vendidos:

    1. ‘A Ilha Perdida’ (Maria José Dupré)
    2. ‘O Escaravelho do Diabo’ (Lúcia Machado de Almeida)
    3. ‘A Turma da Rua Quinze’(Marçal Aquino)
    4. ‘Meninos Sem Pátria’(Luiz Puntel)
    5. ‘Tráfico de Anjos’ (Luiz Puntel)
    6. ‘O Caso da Borboleta Atíria’(Lúcia Machado de Almeida)
    7. ‘Deu a Louca no Tempo’(Marcelo Duarte)
    8. ‘Açúcar Amargo’(Luiz Puntel)
    9. ‘A Guerra do Lanche’(Lourenço Cazarré)
    10. ‘Menino de Asas’(Homero Homem)


    Fonte: Estadão
  • Mobile


  • Twitter

  • Facebook


  • Google+

  • Estatísticas

    Total de Membros: 15,005
    Total de tópicos: 27,601
    Total de Posts: 171,401
    Usuários Online: 27

    Novo Membro: iappnator
Sobre nós
© 2006 - 2017. tocadacoruja.net

  • » FAQ
  • » Manual do Fórum
  • » Parcerias
  • redes sociais