• O fim do Herói

    A sombra do Herói – O Valentão Exibicionista

    Ao início da adolescência, o menino sente necessidade de afirmar sua masculinidade, e o faz por meio da confrontação com sua energia feminina, objetivando demonstrar superá-la, uma vez que não conhece maneiras de lidar com ela. Essa guerra com a energia feminina interna tende a passar para o círculo de relações mais próximo do menino, devido a sua grande ligação com a Mãe no período de transição. Nesta fase ele passa a apresentar as características do arquétipo masculino do herói, buscando impressionar as pessoas que o cercam, lançando mão de atos heroicos, do risco desnecessário, do ataque àqueles que o questionam, muitas vezes utilizando-se de violência física.

    Suas energias são concentradas na proclamação de sua superioridade e do direito de dominar as pessoas que o cercam. Sua presunção pode ser vista com facilidade, o Herói tem por característica principal os sensos de importância e capacidade inflados.

    Essa postura agressiva é uma tentativa de não demonstrar sua insegurança. Na falta do sentimento de unidade interna, sente a necessidade da aprovação de sua condição masculina pelo grupo social.

    O arquétipo do Herói é o último a se manifestar na masculinidade imatura, e é também aquele que concentra mais energia. Nesta fase é fundamental uma referência pessoal e social de masculinidade madura na qual o menino possa se espelhar. Na falta dela, tenderá a assumir cada vez maior comportamento de risco, antes que consiga lidar com as energias femininas adequadamente. A formação de gangues adolescentes é o caso típico do grande potencial de energia masculina concentrada que acaba levando a ações de destruição. Na falta de referências e rituais de passagem masculinos maduros, o grupo de jovens cria seus próprios rituais de passagem, que nos casos das gangues costumeiramente passam por roubo e assassinato.

    O Fim do Herói

    Na série Game of Thrones, o Rei Robert Baratheon é um exemplo de figura masculina que permanece imatura por toda a vida sob a sombra do arquétipo do Herói. Não consegue alcançar a plenitude da masculinidade adulta, necessária para administrar seu reino: “Juro-lhe, nunca me senti tão vivo como quando estava ganhando este trono, nem tão morto como agora que o possuo.”.

    No arquétipo do Rei, centro da masculinidade adulta, concentram-se duas funções, a ordenar o caos e o proporcionar fertilidade e benção. É dever do Rei garantir que a justiça seja feita e a ordem seja mantida de forma racional e equilibrada, não desconsiderando os fatores emocionais.

    Robert Baratheon não cumpria nenhuma destas funções com seu reino e, portanto, nunca foi verdadeiramente rei. Cumpria o papel de rei mortal, mas não exercia as funções provenientes da energia divina, presente na figura real.

    O filme Conan, o Destruidor, termina exatamente quando o Herói, após derrotar seus inimigos, conquista seu reino: “pousando a coroa em sua preocupada cabeça”. O final foi muito bem escolhido, pois para ser Rei, Conan não poderia mais se comportar como Herói.

    É a necessidade da morte do Herói para poder surgir o Rei. É necessário que a masculinidade imatura pereça, para poder ressurgir de forma muito mais poderosa.

    Nos mitos nórdicos, a morte heroica é o objetivo de vida dos guerreiros, para sua posterior ascensão ao Valhalla, o salão celestial. A morte do aspecto infantil masculino leva ao contato com o poder divino do Rei, essa é figura por trás dos mitos.


    Conan em seu trono, o fim do Herói


    Texto por llawall
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