• [ Sherlock Holmes ] Academia Holmes - Prólogo


    Uma escola de detetives foi fundada pelo Doutor Watson e vem mantendo uma longa tradição de formar os melhores detetives do mundo. Abel Light encontra misteriosas cartas ligando sua mãe a irmã de um assassino em série e decidido a descobrir a verdade ele se matricula na conceituada Academia Holmes, mas antes de sua chegada um dos professores é assassinado, Abel usando seus poderes de dedução dignos do lendário detetive da Baker Street terá um longo caminho em busca da "verdade que emerge do caos".


    Prólogo

    O professor Farrel caminhou pelo corredor da escola deserta no início de Janeiro, virou a esquerda e subiu o último lace de escadas antes de chegar ao telhado. Ao chegar a porta essa estava destrancada, girou a maçaneta e saiu para o frio do entardecer. Girou os olhos pelo telhado e ajeitou o casaco já usado, tirou o relógio do bolso consultando a hora, havia chegado mais cedo. Andou pelo telhado de um lado para o outro enquanto esperava refletindo sobre a seriedade de suas descobertas, depois de alguns minutos ouviu barulho na porta. O outro homem fechou a porta e se adiantou pelo telhado estendendo a mão que seu colega apertou com firmeza.

    - Desculpe-me a demora mas não compreendo por que não podemos falar na sala dos professores.

    - O assunto é delicado e envolve alguém de dentro da academia temos que tomar cuidados redobrados.
    - Mas do que se trata esse assunto urgente?

    - Um problema realmente sério e sinto que posso confiar no senhor professor, diz respeito a certos fatos que venho apurando ao longo dos últimos meses.

    - Fatos você diz. O professor Farrel concordou.

    - Sim, soube sobre um certo Barnaby Wallace que segundo dizem foi enforcado já faz alguns anos, ele era acusado daquela série de assassinatos de jovens em Londres?

    - Barnaby Wallace? Se estou lembrado um detetive formado nessa escola conduziu as investigações do caso, não estou lembrado do nome do oficial mas teve grande repercussão em toda a impressa do país.

    - De fato, meses atrás uma jovem foi morta segundo o procedimento que Wallace usava em seus crimes, fui um dos homens presentes durante o inquérito preliminar e fiquei bastante surpreso com o que vi.

    - Podia tratar-se de um imitador, não seria a primeira vez que isso aconteceria.

    - Sim, no primeiro momento trabalhamos com a hipótese de um imitador, tal pessoa deveria ter tido contato com Wallace durante seu período de prisão para conhecer em detalhes os procedimentos do assassino, começamos por checar a lista de visitantes que Wallace recebeu durante seu período na prisão. Ele recebeu apenas duas visitas, uma mulher também de sobrenome Wallace que logo descobrimos tratar de uma irmã, e um homem chamado John Malfoy. Infelizmente esse tal Malfoy foi esfaqueado e morreu dois meses antes da descoberta do corpo da jovem, restou então a irmã.

    - E onde ela estava?

    - Esse é um ponto interessante, Sabine Wallace irmã de Barnaby morreu algum tempo antes de Wallace ser preso, a mulher que o visitou era uma impostora. Ela o visitou pouco tempo antes da execução.

    - E o que tudo isso tem a ver com o caso da jovem assassinada?

    - Bem, está ligado de alguma forma. Wallace foi levado para execução em White Stone, nesse local ninguém havia visto Wallace depois do tempo de prisão. Ele havia emagrecido muito e estava com uma aparência bastante alterada. Os homens que fizeram o transporte e a segurança do preso o entregaram em White Stone e retornaram para Londres. Wallace permaneceu dois dias lá antes da execução assistida por membros da suprema corte. Wallace foi sepultado então sem a presença de familiares ou mesmo conhecidos, ninguém que comprovasse sua real identidade.

    - Um momento, se bem entendi sua linha de pensamento está supondo que houve uma troca de prisioneiros em algum momento durante o caminho entre Londres e White Stone e que o homem enforcado não era Wallace? O primeiro homem assentiu com a cabeça.

    - Devo confessar que fiquei tentado a desconsiderar essa hipótese mas depois de mais algumas pistas essa possibilidade se tornou bem real. Descobri que na mesma época da execução um segundo prisioneiro deveria ser levado a White Stone mas morreu na prisão e seu corpo foi sepultado em Londres. Abrimos o túmulo sobre o pretexto de uma exumação do corpo e descobrimos que o cadáver não estava lá. O caixão estava vazio. A descrição desse prisioneiro batia com a descrição de Wallace sendo possível a alguém que não o conhecesse os confundisse. Creio que esse homem está no túmulo de Wallace em White Stone.

    - Faz sentindo mas como fizeram a troca? Wallace precisaria ter ajuda de fora.

    - Nesse momento entra a falsa irmã, creio que ela acertou os detalhes da troca subornando os guardas, um deles foi encontrado morto dois meses depois o outro embarcou para a América e nunca mais deu notícias. Mas isso não é tudo.

    - A algo mais? O professor deu as costas, a capacidade do homem a sua frente de manter o sangue frio era incrível, ouviu a toda a história com a calma de um analista como se fosse a obra de um escritor e cujas personagens fossem fictícias. Era chegada a hora de revelar tudo. Ele deslizou a mão grande e ossuda para o bolso interno do casaco e sentiu o frio do cano da arma, segurou a coronha com firmeza e sacou o revólver ocultando-o nas dobras do casaco, depois voltou a se virar para seu interlocutor que não esboçou nenhuma reação.

    - Barnaby Wallace era um dos membros do corpo docente dessa escola embora isso não seja de conhecimento comum, por esse motivo tive acesso a seus dados nos arquivos antigos e descobri uma coisa interessante, ele era um especialista em disfarces e falsificação, habilidades bastante incomuns para um detetive mas bem úteis quando se quer fazer passar por outra pessoa. Os dois homens se encararam em silêncio por alguns minutos.

    - Não entendo aonde quer chegar professor. O outro homem suspirou.

    - Você tinha um compromisso marcado no condado de Yorkshire no mesmo dia do assassinato daquela garota, onde estava?

    - No compromisso creio eu.

    - Você também não estava lá estava? O corpo foi encontrado no dia anterior por isso presumimos que a morte ocorreu na noite anterior, tive acesso aos arquivos da reitoria e seu compromisso estava marcado para aquela tarde, isso significa que você teve toda a noite livre para agir, além disso uma testemunha local viu um homem circulando com o uniforme dos docentes dessa academia. Não sei quem na realidade é o senhor mas sei quem não é. Nesse momento o professor ergueu a mão apontando o revólver para seu interlocutor.

    - Prefere que eu o chame de Barnaby Wallace caro professor? O homem riu.

    - Entendo, todo esse espetáculo foi preparado para me apanhar, creio que o senhor já tenha as provas da minha real identidade.

    - Tenho todas, a Scotland Yard as receberá com certeza, eu as enviei antes de chamá-lo aqui senhor Wallace. O homem riu novamente, abriu alguns botões do casaco e retirou um envelope selado com o carimbo da Academia Holmes, o professor sentiu o sangue gelar.

    - Como conseguiu por as mãos nisso? O homem sorriu maquiavélico.

    - Não se encontram bons mensageiros hoje em dia, seu erro foi confiar naquela criança, devo dizer que ele resistiu bravamente até o último momento, foi muito corajoso o pobre rapaz. Uma gota de suor frio correu pela testa do professor, havia mesmo cometido um erro que lhe custaria caro.

    - Sei que deve ter mais uma cópia desses documentos mas me ocuparei disso mais tarde, agora tenho assuntos mais imediatos a tratar, como me livrar do senhor por exemplo.

    - Está muito confiante senhor Wallace, como pretende me eliminar?

    - Acha difícil? O professor apertou ainda mais a coronha do revólver.

    - Só uma pergunta me intriga, tendo a possibilidade de ir para qualquer lugar por que voltou para a Academia Holmes?

    - Minhas razões são pessoais e não lhe dizem respeito estimado colega, agora pretende atirar em mim ou vamos perder o dia todo aqui? O homem mantinha o mesmo sorriso no rosto e seus gestos eram calmos, o professor engatilhou a arma mas hesitou, não tinha planejado dessa forma e estava ficando sem opções.

    - Levante as mãos senhor Wallace. O homem riu pela terceira vez.

    - Esse foi realmente seu último erro. Quando Barnaby levantou as mãos o professor escutou um estampido de pólvora sendo detonado, seu peito ardeu e logo um calor líquido começou a correr pelo seu peito, ele cobriu o ferimento com a mão, Barnaby mexia na manga do casaco e retirava um cilindro metálico com a abertura chamuscada, virou o cilindro deixando cair um cartucho deflagrado no chão do telhado.

    - Uma arma improvisada e com pouca potência mas suficiente para matar a curta distância, devo dizer que um tiro é o bastante. O professor lutou por ar e sua visão borrou, ele tentou disparar a arma mas não conseguiu mirar atirando no chão perto do pé de Barnaby que deu um pequeno passo para atrás. A arma escorregou da mão do professor, ele virou e se apoiou na grade, suas pernas falharam e ele escorregou para o chão. Barnaby se aproximou da vítima e se pôs de joelhos a seu lado.

    - Excelente trabalho meu caro colega, pena que a execução de seu plano não foi das melhores. O professor teve que concordar, sua arrogância o fez querer capturar Wallace sozinho e isso provou ser um erro. Barnaby levantou e deu as costas indo em direção a porta, antes de batê-la o professor estava morto.


    HollowNando
    Este artigo foi publicado originalmente deste tópico: [Sherlock Holmes] Academia Holmes iniciado por HollowNando Ver post original
Sobre nós
© 2006 - 2017. tocadacoruja.net

  • » FAQ
  • » Manual do Fórum
  • » Parcerias
  • redes sociais